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Grande Entrevista. Nuno Severiano Teixeira acredita que está nas mãos de Trump o fim do conflito no Irão
Nuno Severiano Teixeira não tem dúvidas de que está nas mãos de Donald Trump o desenlace e fim da guerra com o Irão. O antigo ministro da Administração Interna e da Defesa afirmou, na Grande Entrevista, que a interferência externa em regimes como o iraniano pode abrir um "precedente muito perigoso".
"Esta é uma guerra que nós não sabemos quando vai acabar", começou por dizer, admitindo que parece estar "ainda numa fase de expansão, numa fase de escalada".
Especialista em assuntos internacionais, acredita que o presidente norte-americano é "a única pessoa que tem a chave da guerra". Há vários fatores que podem determinar o desenvolvimento deste conflito com Teerão: fatores económicos e políticos, que podem afetar os valores eleitorais de Trump.
Além disso, considera que os interesses de Trump não coincidem em tudo com os do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Para os Estados Unidos "pode ser importante acabar com a ameaça nuclear do Irão", mas não tanto a mudança de regime.
"O Irão tem dito que quer acabar com o sionismo", argumenta, explicando que Teerão é "uma ameaça existencial" para Israel.
Especialista em assuntos internacionais, acredita que o presidente norte-americano é "a única pessoa que tem a chave da guerra". Há vários fatores que podem determinar o desenvolvimento deste conflito com Teerão: fatores económicos e políticos, que podem afetar os valores eleitorais de Trump.
Além disso, considera que os interesses de Trump não coincidem em tudo com os do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Para os Estados Unidos "pode ser importante acabar com a ameaça nuclear do Irão", mas não tanto a mudança de regime.
"O Irão tem dito que quer acabar com o sionismo", argumenta, explicando que Teerão é "uma ameaça existencial" para Israel.
Embora muitos cidadãos iranianos também queiram a mudança de regime, que segundo Nuno Severiano Teixeira "continua a reprimir os protestos", mas no "mundo em que vivemos" a interferência estrangeira abre "um precedente muito perigoso".
Já sobre os ataques do Irão aos países vizinhos, o professor catedrático considera que a estratégia é "alargar o conflito" aos país do Golfo para que estes "possam pressionar os Estados Unidos e até Israel a parar o ataque" a Teerão.
No final desta guerra, segundo Nuno Severiano Teixeira, a força xiita vai diminuir e a força militar israelita pode sair "mais forte", mas "diplomaticamente mais fraco".
"Israel é a grande potência militar da região", admitiu.
Por outro lado, acrescentou, "há duas coisas que permanecem: os Estados Unidos continuam a ser um ator fundamental e a União Europeia continua a ser um ator irrelevante no Médio Oriente".
"A União Europeia, mais uma vez, não conseguiu ter uma posição unificada, não conseguiu falar a uma voz, não conseguiu ter uma ação una".
A Europa sai assim politicamente "fragilizada", porque usa "dois pesos e duas medidas": condena a invasão russa à Ucrânia mas "não usa o mesmo direito de crítica (...) nestes casos".
"Enfraquece a posição europeia relativamente à Ucrânia e favorece a Rússia", concluiu.
Por outro lado, acrescentou, "há duas coisas que permanecem: os Estados Unidos continuam a ser um ator fundamental e a União Europeia continua a ser um ator irrelevante no Médio Oriente".
"A União Europeia, mais uma vez, não conseguiu ter uma posição unificada, não conseguiu falar a uma voz, não conseguiu ter uma ação una".
A Europa sai assim politicamente "fragilizada", porque usa "dois pesos e duas medidas": condena a invasão russa à Ucrânia mas "não usa o mesmo direito de crítica (...) nestes casos".
"Enfraquece a posição europeia relativamente à Ucrânia e favorece a Rússia", concluiu.
Se ainda estivesse no Governo, Severiano Teixeira admitiu que qualquer executivo "teria uma posição substancialmente diferente" do atual.
"Seria muito difícil Portugal ter outra posição", sublinhou, não negando que o "modus faciendi" do Governo de Luís Montenegro "não foi feliz".
Embora reconheça que na diplomacia "nunca é preto e branco" e que há muitas "tonalidades de cinzento", considera que este Executivo "talvez tenha usado o preto e branco e precisava de mais cinzentos".
"Seria muito difícil Portugal ter outra posição", sublinhou, não negando que o "modus faciendi" do Governo de Luís Montenegro "não foi feliz".
Embora reconheça que na diplomacia "nunca é preto e branco" e que há muitas "tonalidades de cinzento", considera que este Executivo "talvez tenha usado o preto e branco e precisava de mais cinzentos".